Espermatozóides e embriões podem ser congelados , com bom resultado, para utilização futura. Nós ainda não temos técnicas confiáveis para congelar o óvulo. Quando congelamos uma célula, a parte liquida (citoplasma) é que passa pelo processo do resfriamento. A temperatura cai gradativamente e então ocorre uma cristalização do citoplasma. Esta cristalização pode lesar as diversas estruturas citoplasmáticas, podendo então destruir a célula. Para evitar este fenômeno, colocamos a célula em um meio de cultura , que sendo absorvido, protegerá a célula . Dependeremos então da capacidade da célula de absorver o meio protetor.

A técnica de congelamento de espermatozóides é antiga. Existem bancos de sêmen em funcionamento há mais de 25 anos (CECOS França).


As indicações para congelamento de sêmen mais comuns são:

1) Pré vasectomia: indivíduos que irão se submeter a uma esterilização voluntária , desejam preservar sêmen para uma possibilidade futura. Com a possibilidade da recolha de espermatozóides diretamente do epidídimo ( ver seção aspiração do epidídimo) esta indicação está caindo em desuso.

2) Pré tratamento de câncer: Talvez seja a indicação mais comum e procurada. Nestes casos pacientes se submeterão a um tratamento de quimioterapia ou radioterapia. Estes tratamentos, na grande maioria, destroem o tecido germinativo, não havendo mais produção de espermatozóides. Importante ressaltar que não é incomun, a ocorrência de alteração do esperma e pacientes com câncer. Deve ser feito prévio ao congelamento um espermograma minucioso.

3) Tratamentos de fertilidade na ausência do marido. Casais em tratamento ou casais em que o marido viaja constantemente, podem congelar o sêmen e utiliza-lo numa inseminação artificial.


OBS: É muito comum a pergunta : É possível congelar varias amostras de esperma , na tentativa de melhorar ou de aumentar a capacidade de um sêmen deficiente? Não, não é possível . O sêmen alterado dificilmente resiste ao congelamento, o que inviabiliza esta possibilidade.


Congelamento de embriões:

Realizado nos embriões excedentes de um procedimento de fertilização in vitro. No dia da transferência dos embriões ( vide seção Fertilização in vitro), iremos selecionar os embriões excedentes por critérios de qualidade morfológica destes. O congelamento é realizado através da colocação dos embriões em meio próprio , e o resfriamento obedece uma escala computadorizada que decresce a temperatura, gradativamente até atingir - 196*

Os embriões são então mergulhados em um tanque de nitrogênio liquido onde ficarão armazenados. No momento desejado, serão descongelados e introduzidos no útero materno.

O sêmen e os embriões podem ficar congelados , teoricamente, por período indeterminado, desde que as condições de manutenção em nitrogênio liquido sejam rigorosamente observadas.

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