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Avanços
importantes baseados na pesquisa da fertilidade têm sido desenvolvidos
nos últimos anos. Novidades nas áreas de medicação, cirurgia, fertiIização
assistida, oferecem novas esperanças.
A maioria dos especialistas consegue hoje, identificar fatores que
diminuem a fertilidade, e a maioria são tratáveis.
A gravidez é possível para uma grande maioria dos pacientes em tratamento.
O casal com alteração da fertilidade deve ser submetido a uma investigação
completa para determinar o porque do problema e o que poderá ser
feito. Serão submetidos a uma série de exames que vão requerer do
casal um investimento de tempo, dinheiro, energia física e emocional.
A avaliação e o tratamento não garantem resultados. Nem todo casal
conseguirá uma gravidez, mas todos ganharão um melhor entendimento
do porque são inférteis.
Estatísticas realizadas mostram que aproximadamente 1 casal em 7
é intértil entre 30 e 34 anos, 1 em 5 de 35 a 39 anos, 1 em 4 entre
40 e 44 anos.
Um excelente estudo feito na Inglaterra indica as seguintes causas
e frequência da infertilidade:
Endometriose
- 28%
Problemas do esperma - 21%
Problemas de ovulação - 18%
Lesão tubária - 14%
Problemas sexuais - 6%
Problemas do colo do útero - 3%
Outros problemas masculinos - 2%
Causas inexplicáveis - 6%
Os médicos devem
ter 4 objetivos em mente quando iniciam um tratamento:
1) Pesquisar e tratar as causas de infertilidade.
Com avaliação e tratamento adequados, mais da metade dos casais conseguirão
gravidez.
2) Fornecer informação farta e atualizada, para evitar má informação
comumente dada por amigos, parentes e principalmente vinda da má utiIização
dos meios de comunicação.
3) Apoiar psicologicamente o casal durante todos os períodos de pesquisa
e tratamento, seja pelo apoio do próprio médico, seja pelo encaminhamento
a um terapeuta especializado quando necessário.
4) Saber aconselhar o casal o momento de desistir, seja pela impossibilidade
de transpor o problema, seja pelo apoio dado no caso da desistência
do casal.
O OUE É SER INFERTIL?
Um casal é considerado infértil, quando uma gravidez não ocorre no
período de um ano e meio de vida sexual sem uso de contracepção.
O QUE É SER FERTIL?
Ser fértil e ter a capacidade de produzir uma gravidez e levá-la até
o nascimento de uma criança saudável.
Um casal com fertilidade comprovada, a cada ciclo tem uma chance de
21 a 28% de conseguir uma gravidez que vá ate o final. Dentro deste
conceito e com esses valores vemos que um nascimento na espécie humana
não é tão simples como se imagina.
POROUE LOGO COMIGO?
Esta é uma pergunta um pouco difícil de responder isoladamente.
Acredita-se que 10% dos casais em idade reprodutiva têm algum problema
que impede a procriação. Dentre estes casais, as causas podem ser
repartidas , meio a meio, entre o homem e a mulher.
MAS O OUE CAUSA A ESTERILIDADE?
Para responder a esta pergunta é importante conhecer primeiro como
ocorre a concepção. A fecundação natural resulta do encontro, na trompa,
de duas células: o ovócito vindo da mãe, e do espermatozóide, vindo
do pai. A célula materna ou óvulo se encontra no folículo, pequeno
cisto que se desenvolve no interior do ovário. O crescimento do folículo
e o amadurecimento do óvulo se dá as custas dos hormônios folículo-estimulante
(FHS) e luteinizante (LH) que são produzidos pela hipófise, cujo funcionamento
é comandado pelo cérebro. No meio do ciclo menstrual um sinal chamado
pico do LH, vai produzir a ovulação, isto é, a liberação do conteúdo
folicular e do óvulo no abdômen, sendo então captado pela trompa.
Os espermatozóides são produzidos de maneira contínua no interior
do testículo. Aí passam para o epidídimo e canal deferente, onde são
armazenados. No momento da ejacuIação eles se juntarão ao líquido
da próstata e da vesícula seminal e serão então lançados ao exterior.
Os espermatozóides lançados na vagina durante o ato sexual vão entrar
em contato com o colo do útero. A entrada dentro do útero é facilitada
pela secreção do muco, que produzida pelo colo permite a penetração
dos espermatozóides da vagina para a cavidade. No útero os espermatozóides
sofrem uma espécie de transformação, chamada capacitação, que os tornarão
aptos a fecundação do óvulo.
O encontro dos espermatozóides e do óvulo se dá na trompa.
A penetração de um espermatozóide no óvulo é chamada de fecundação.
O óvulo fecundado vai se dividir em várias células levando à formação
do embrião, que é alimentado pela trompa durante mais ou menos 72
horas, quando então chega a cavidade uterina. O embrião vai se implantar
na mucosa uterina, processo este chamado nidação, que marca o início
da gravidez.
Visto isto, tudo aquilo que se colocar como impedimento a produção,
transporte, e encontro dos gametas, será capaz de levar a uma alteração
da fertilidade.
COMO É O TRATAMENTO?
O tratamento é dividido em duas partes. Primeiro existe a fase de
pesquisa, em que iremos estudar todos os fatores que podem estar alterando
a fertilidade do casal. Ao final desta fase teremos um diagnóstico,
e baseado neste, iniciaremos então o tratamento propriamente dito.
ESTA PESQUISA DEMORA?
Como a mulher tem ciclos menstruais, os exames são realizados em épocas
pré-estabelecidas, que devem seguir a fisiologia. As vezes precisamos
esperar um novo ciclo para repetir ou dar continuidade a um determinado
exame. Habitualmente conseguimos terminar a fase de pesquisa em 3
a 4 ciclos menstruais.
COMO DEVEMOS PROCEDER?
O casal deve procurar ajuda, preferencialmente juntos. A avaliação
da causa fica mais fácil quando o casal é visto como um só. Psicologicamente
existem vantagens, quando o casal é visto em conjunto. O problema
pode ser dividido, compartilhado e suportado mais facilmente.
Lembrem-se que o problema será sempre dos dois, mesmo que uma patologia
seja encontrada em um dos parceiros, sempre afetará ambos.
O resultado final dependerá do tipo de alteração, mas a força conjunta
ajudará a obter este resultado ou a suportar a dificuldade de conseguí-lo.
COMO SÃO OS EXAMES?
Existem três áreas que devem ser analisadas, para se chegar a um diagnóstico.
É importante que todas as avaliações sejam realizadas. Todas têm o
mesmo peso para se chegar ao diagnóstico final.
Espermatozóide:
A avaliação do espermatozóide é feita através do espermograma. É um
exame que o homem pode achar constrangedor, pois necessita da coleta
do esperma por masturbação. Preferencialmente colhido no laboratório,
pois o exame se inicia imediatamente após a coleta.
Eventualmente pode ser colhido em casa, se o paciente, de todo, não
consegue colher no laboratório. Não se preocupe se isto acontecer
com você, é uma ocorrência comum.
A segunda avaliação do espermatozóide é realizada através do teste
pós coito ou teste de Huhner. Nêle, vamos avaliar a capacidade do
espermatozóide de penetrar e sobreviver no aparelho reprodutor feminino.
No periodo da ovulação, o casal mantém uma relação sexual na véspera
do exame, à noite, e o exame é realizado no dia seguinte. Com isto
veremos se o espermatozóide, além de penetrar, tem capacidade de sobreviver
no muco do colo do útero.
Se algum problema é detectado, nestas duas avaliações, outros exames
podem então ser indicados. (dosagens hormonais, avaliações de fluxo
sanguíneo, etc...)
Óvulo:
O estudo da ovulação compreende uma série de exames que irão demonstrar,
não só a ovulação, mas todos os fatores que induzem esta a ocorrer,
bem como seus reflexos no organismo.
Uma avaliação dos hormonios é realizada em fase ainda menstrual, quando
então teremos os valores de base. Este estudo hormonal é reavaliado
na fase pós ovulação, quando veremos a produção hormonal do ovário.
Um estudo seriado da ovuIação, pelo ultrasom, mostrará não só a velocidade
de crescimento do folículo, como o seu rompimento, que é o dado físico
de que a ovulação ocorreu.
Para a ovulação ocorrer, é necessário o aparecimento de um hormônio
chamado LH. O LH aparece um dia antes da ocorrência da rotura do folículo.
Podemos detectar este hormônio na urina, através de um teste realizado
pela própria paciente em casa.
O endométrio, é o tecido que recobre a cavidade uterina. Este se desenvolve
sob influência dos hormônios produzidos pelo ovário. No endométrio
é que se fixará o embrião, quando chegar ao útero.
É necessário uma boa condição de maturidade e crescimento para que
o endométrio possa receber e permitir a nidação. Fazemos então um
estudo deste endométrio, para saber se os hormônios estão fazendo
adequadamente a sua preparação.
Conhecido como "biópsia do endométrio", é um exame que retiramos uma
pequena porção, por intermédio de uma sonda plástica maleável. Algumas
pacientes referem uma pressão ou cólica no momento do exame. Esta
dado pela passagem da sonda pelo colo.
A temperatura basal é um metodo pelo qual temos uma informação indireta
da ovulação. Baseia-se no fato de que a Progesterona, produzida pelo
ovário após a ovulação, produz umm aumento da temperatura. Teremos
então uma temperatura de base antes da ovulação e uma temperatura
mais elevada na segunda parte do ciclo. É uma forma de conhecermos
o padrão do ciclo menstrual de uma paciente. Se obtivermos uma média
de três ciclos de temperatura, poderemos extrapolar todos os exames
realizados sem necessitar repetir toda a avaliação da ovulação.
Trajeto:
Após avaliarmos o espermatozóide e o óvulo, precisamos que os dois
gametas se encontrem. Precisamos então analisar o trajeto realizado
pelos dois.
O estudo do trajeto compreende quatro exames:
1. Ultra-Sonografia:
Mostrará a estrutura dos órgãos. O ultra-son tem a propriedade de
nos mostrar a estrutura interna dos órgãos. É como se ao analisar
uma parede pudéssemos ver a sua parte interna, isto é, ver os tijolos
no seu interior.
O ultra-son poderá nos mostrar se existem miomas na parede do útero
ou outras anomalias que possam intervir na forma do útero ou pressionar
a cavidade causando distúrbios da sua dinâmica.
2. Histerosalpingografia:
É um exame de raio X, realizado com contraste, que nos mostrará as
alterações da cavidade uterina, como pólipos, cicatrizes etc... O
trajeto tubano é o dado mais importante mostrado por este exame. Este,
hoje, é o único exame que pode nos mostrar o estado do interior da
trompa bem como da passagem do contraste, comprovando seu trajeto.
Futuramente teremos um exame que poderemos avaliar o interior da trompa,
através da visão direta por endoscopia.
3. Histeroscopia:
É o exame que avaliaremos diretamente a cavidade do útero, através
de um endoscópio. Este, é uma sonda fina de 3 mm de diâmetro que acoplado
a uma câmera de televisão, nos permite entrar pelo colo do útero e
avaliar diretamente o interior do útero. Este exame habitualmente
é realizado em consultório. Indolor, pode em alguns casos produzir
uma leve pressão ou cólica, dado a entrada do gás que utilizamos para
distender a cavidade uterina.
4. Laparoscopia:
Através deste exame avaliaremos diretamente a cavidade abdominal,
e poderemos diagnosticar as alterações que podem dificultar o trabalho
das trompas e dos ovários, sejam elas por aderências, endometriose
etc..
Trata-se de uma pequena cirurgia, realizada em ambiente hospitalar,
sob anestesia. Através de uma pequena incisão no umbigo, se insere
um tubo acoplado a uma câmera de televisão. Veremos então com nitidez,
toda a cavidade abdominal, podendo então diagnosticar toda e qualquer
alteração que possa interferir com a função de trompa e ovário.
As alterações mais comuns são:
Endometriose: É o aparecimento fora do útero do tecido que recobre
a cavidade uterina. Não sabemos ao certo porque isto ocorre nem como
interfere com a fertilidade. Esta condição acomete 35 % das mulheres
inférteis, que ainda não tiveram um diagnóstico. O único meio para
este diagnóstico é a laparoscopia.
Aderências: são causadas por uma reação do organismo à uma agressão
sofrida, seja ela de causa inflamatória ou cirúrgica. O organismo
tenta cobrir a região afetada com uma espécie de cola, protegendo
ou impedindo que a lesão progrida. Esta "cola" poderá grudar os órgaos
vizinhos, impedindo a função ou criando barreiras entre as trompas
e os ovários.
SÃO SÓ ESTES EXAMES ?
Habitualmente esta é a base do diagnóstico. Dependendo do que for
encontrado em cada avaliação, necessitaremos de outros exames. Devemos
lembrar que o corpo humano funciona como um todo, podendo outros órgãos
influirem na reprodução. Por exemplo: as alterações da tireóide, podem
levar à infertilidade.
Na grande maioria dos casos conseguimos um diagnóstico ao final da
avaliação dos três setores.
TRATAMENTO:
Passado a fase de pesquisa, entramos na fase de tratamento, que logicamente
se baseará no ou nos problemas encontrados.
Estes podem ser clínicos, cirúrgicos, ou utilizando-se a fertilização
assistida.
Clínicos:
São aqueles em que utilizamos uma medicação para corrigir uma alteração
específica. Como exemplo temos os antibióticos, os indutores da ovulação,
os que controlam distúrbios hormonais etc..
As vezes só com uma orientação, modificando hábitos e costumes, conseguimos
um resultado positivo.
Deveríamos incluir nesta categoria também os tratamentos dos fatores
emocionais. Estes tratamentos podem ajudar, tanto pacientes que tenham
uma problemática que esteja diretamente alterando a concepção, como
aqueles em que a dificuldade de engravidar torna-se uma carga difícil
de suportar.
Cirúrgicos:
Indicado, para o tratamento de todos os fatores que levariam a obstruções
do trajeto dos gametas, bem como de correção de má formações do trato
genital.
Os métodos cirúrgicos sofreram uma revolução com o advento da videocirurgia.
O que explicamos anteriormente para laparoscopia e histeroscopia pode
ser colocado aqui dentro dos tratamentos cirúrgicos.
A videocirurgia se utiliza de uma câmera de televisão acoplada a uma
ótica, que permite a visão nítida e aumentada da lesão. A ótica pode
se aproximar até 1 cm da lesão e nos casos da histeroscopia até fazer
um estudo microscópico do local. Com isto temos uma precisão de diagnóstico
e gestos muito maior que a cirurgia convencional, a qual trabalhamos
a uma distância de pelo menos 30 cm do local a operar.
A histeroscopia cirúrgica permite o tratamento de miomas, pólipos,
sinequias e malformações da cavidade do útero, sem a necessidade de
grande cirurgia e com uma recuperação mais rápida. (exemplo: tratamento
de malformação uterina tipo sépto, recuperação total para se tentar
uma gravidez: cirurgia convencional = 1 ano, histeroscopia = 1 mês).
A laparoscopia cirúrgica, permite a realização de praticamente 90%
das cirurgias ginecológicas, sem a necessidade de abertura da cavidade
abdominal. Exemplo: cistos de ovário, gestação tubária, entre outras.
A grande vantagem da cirurgia laparoscópica, além do lado estético
, é a rápida recuperação, o baixíssimo índice de infecção, e o retorno
a vida normal quase, imediato. (Exemplo: Gestão tubária: Laparoscopia/internação
6 horas, cirurgia convencional /3 dias).
Fertilização assistida:
São métodos utilizados para ajudar a fertilização, através da manipulação
de um ou dos dois gametas em laboratório.
Existem hoje uma infinidade de técnicas, indicações, e situações especiais,
nas quais utilizaremos o laboratório para facilitar a obtenção de
gravidez.
Frequentemente existe uma confusão em torno dos nomes dos tratamentos.
Em resumo, temos a inseminação artificial, em que apenas o espermatozóide
é manipulado, e a fertilização in vitro, na qual o óvulo e o espermatozóide
entram em jogo.
Estas técnicas tradicionais deram margem ao aparecimento de uma infinidade
de procedimentos, que pode, hoje, ajudar casais que no passado não
tinham tratamento.
Inseminação artificial:
O método pelo qual é selecionado ou melhorado 1 esperma em laboratório
e, através de uma sonda especial, o colocamos no interior do útero.
A inseminação é realizada no momento da ovulação, que está sendo seguida
hormonalmente ou com auxílio da ultrasonografia. Na maioria dos casos
a ovulação pode ser ajustada com auxílio de medicamentos, o que facilita
o monitoramento e a qualidade da ovulação. A inseminação é totalmente
indolor assemelhando-se a um exame ginecológico.
As indicações mais comuns na mulher são devido as alterações do muco
cervical, que vão impedir a livre penetração dos espermatozóides no
útero. No homem são as alterações do esperma que podem se beneficiar
de um processo de seleção laboratorial, como aquela devido a uma diminuição
no número, em que uma inseminação levará aqueles poucos até a região
mais próxima possível do local de encontro com o óvulo.
Existe também a possibilidade para aqueles que por algum problema
não produzem espermatozóides. Nestes casos pode-se utilizar esperma
de doadores. O processo da inseminação é igual.
Fertilização in Vitro:
O processo pelo qual manipula-se os dois gametas no laboratório e
depois o recolocamos no organismo materno.
O processo requer três etapas fundamentais: a primeira se ocupa da
produção de uma ovulação múltipla, induzida pelo uso de medicação
hormonal.
Esta parte do processo inclui um monitoramento bastante rigoroso,
realizado pelo ultrason seriado e por dosagens hormonais diárias.
No momento em que os foliculos estão "maduros" a ovulação é desencadeada
com uso de uma medicação específica.
Momentos antes que ela ocorra retiramos os óvulos com uma agulha ,
que é introduzida através da sonda do ultra-son, via vaginal (sob
sedação). Neste momento passamos a segunda fase do processo, que é
a parte laboratorial, na qual os óvulos aspirados serão avaliados
e colocados em um meio de cultura, que imita ao máximo o ambiente
tubano. O esperma então é colhido, selecionado, e os espermatozóides
ao final deste processo são colocados junto com os óvulos.
48 horas depois teremos os embriões, já em seu primeiro estágio de
desenvolvimento, quando passam a ser chamados de pré embriões. Estes
são então colocados através de uma sonda, no interior do útero, como
em uma inseminação artificial.
A terceira etapa, é a de reposição hormonal e ao final de 14 dias
teremos o primeiro resultado.
Algumas vezes os fatores que alteram a fertilidade são fáceis de detectar
e resolver. Outras, entretanto, são difíceis de identificar e tratar.
Para alguns casais, uma avaliação extensa pode ser necessária antes
que se recomende um tratamento. Uma avaliação pode habitualmente descobrir
uma ou mais causas que reduzem a fertilidade. Habitualmente começa
com exames simples e progride com alguns mais complicados. Como cada
casal tem seus próprios problemas, os testes e tratamentos tem que
ser adaptados sob medida para cada caso. Ambos parceiros devem estar
conscientes da extensa cooperação, disponibilidade de tempo e investimento
emocional requeridos.
Injeção de Intracitoplasmática de Espermatazóides - ICSI
A última grande revolução da Medicina da Reprodução, foi a injeção
intracitoplasmática de espermatozóides. Esta técnica veio para auxiliar
o tratamento de milhares de casais, que antes teriam que se contentar
com um sêmen Banco de Esperma.
As primeiras indicações desta técnica foram os indivíduos que produzem
uma quantidade muito baixa de espermatozóides. Visto que só necessitamos
isolar um espermatozóide para cada óvulo aspirado.
Com o passar do tempo, novas indicações foram surgindo. Hoje Podemos
retirar espermatozóides de homens que não tenham esperma.
PESA (Percutaneous sperm aspiration) indicada para homens vasectomizados.
TESE (Testicular sperm extraction) indicada para homens com ausência
do canal deferente ou obstrução à saida do testículo.
PESA: é realizada com anestesia local, uma fina agulha é passada através
da pele do escroto e entra no corpo do epidídimo. Aspiram-se então
espermatozóides que serão utilizados pela técnica de ICSI.
TESE: realizamos com anestesia local uma biópsia do testículo, com
agulha passada através da pele e aspirando material testicular. Na
eventualidade de não obtermos espermatozòides, podemos realizar uma
biópsia com abertura da pele e ressecção de fragmento de testículo.
Para realizarmos o ICSI, utilizamos um potente microscópio, acoplado
a um sistema de micromanipuladores, que tem como objetivo reduzir
os movimentos do embriologista. Uma micropipeta segura a óvulo por
sucção, enquanto uma microagulha injetará o espermatozóide no seu
interior. Para se ter um idéia do tamanho desta microagulha, ela tem
a diâmetro sete vezes menor que um fio de cabelo.
O resultado desta técnica, se dá no âmbito da fecundação, isto é,
obtemos 70% em média de fertilização dos óvulos injetados, mas os
resultados de gravidez são iguais ao fertilização in vitro convencional,
ou seja 30% por transferência de embriões.
Esta técnica foi posta em prática em 1992 por uma equipe Belga, e
desde então vem sendo utilizada em todo mundo. Podemos imaginar que
hoje existam, nascidas por esta técnica, mais de 20.000 crianças em
todo mundo. Através destes números podemos, já hoje, admitir que é
uma tecnologia segura, tendo a mesma probabilidade natural de malformação,
isto é, a chance de malformações nos bebês é igual à ocorrida na natureza.
Como existe uma forte correlação entre distúrbios da fertilidade masculina
e alterações genéticas hereditárias, realizamos em todo o indivíduo
candidato à um tratamento por ICSI, um exame dos cromossomos (cariótipo).
O lado feminino deve ser avaliado e tratado como se fora uma fertilização
in vitro convencional.
A única diterença da ICSI para uma FIV se situa na laboratório, onde
serão utilizadas tecnologias diferentes para cada caso.
A técnica de reimplante do embrião será também a mesma.
Doação temporária de útero:
Indicada para mulheres que não tem útero ou que possuam uma anomalia
que impede a gestação. Segundo normas do Conselho Federal de Medicina,
podemos utilizar o útero de parentes até segundo grau (mãe, irmã,
prima).
A paciente que não possui útero, terá seu ovário estimulado, e os
óvulos captados. A fecundação ocorre na laboratório. A receptora teve
seu útero preparado previamente para receber estes embriões. A gravidez
ocorrendo, será fruto do espermatozóide e o óvulo do casal e o embrião
conseguido gestado pela terceira pessoa.
Doação de óvulos:
Indicada para mulheres que não tem ovário ou a função, seja por ausência,retirados
cirurgicamente, ou menopausa.
As doadoras são pacientes jovens, em tratamento pela fertilização
in vitro, que aceitam doar parte dos óvulos produzidos no processo
de estimulação.
Esses óvulos doados são fertilizados pelos espermatozóides do casal
receptor, e o embrião conseguido transferidos para o útero receptor.
Doação de espermatozóides:
Indicados para homens com ausência completa de produção ou anomalia
genética transmissível.
Estamos associados ao FAIRFAX CRYOBANK, nos Estados Unidos, banco
este acreditado pela American Society of Reproductive Medicine. Todos
os exames preventivos são realizados antes da liberação do sêmen para
tratamento. A segurança é o fator mais importante. O processo é o
mesmo da inseminação artificial.
OUTRAS INFORMAÇÕES IMPORTANTES
Não importa de
qual parceiro é a causa de infertilidade. O problema é, e deverá ser
sempre encarado como uma alteração do casal. Não se consegue uma gravidez
sozinho, por isso se desejam um filho e não o conseguem naturalmente,
lutem juntos.
Seu/sua companheiro/a pode sentir diferentemente o problema. Eventualmente
a dimensão dada a cada coisa em nossa vida, pode ser encarada de forma
completamente diversa. Um de vocês pode estar achando que tudo pode
funcionar bem, enquanto outro está fazendo uma fantasia enorme em
torno da questão.
Às vezes, o casal interpreta estas diferenças como falta de amor e
compreensão. Eventualmente é difícil se comunicar, e as vêzes isto
se dá por medo de machucar o outro. O sexo pode não ser mais prazeroso
e por outro lado até uma fonte de stress.
Aqui, algumas dicas:
- Valorize
os sentimentos de seu parceiro.
- Expresse
seus sentimentos francamente.
- Não espere
que seu parceiro reaja igual a você.
- Planeje tempo
para conversas íntimas.
- Mude o enfoque
de sexo para procriação, e aproveitem para estar mais juntos.
- Os conselhos
de leigos e as reportagens sobre o assunto podem atrapalhar mais
do que ajudar. Tomem cuidado com folderes, bem como assuntos sensacionalistas.
- Não modifiquem
a vida sexual de vocês, continuem a se relacionar sexualmente
como de costume. A mudança de hábitos sexuais, às vezes, podem
trazer mais alterações do que auxílio. Se o ritmo sexual de vocês
é uma preocupação, não deixe de perguntar.
Todas estas informações
foram elaboradas para melhor compreensão de um problema que deve estar
lhes afligindo. Se ainda tiverem dúvidas, procurem esclarecê-las conosco
ou com o médico que os assiste.
Saiba mais sobre:
Fertilização in Vitro
Inseminação Artificial
Laparoscopia
Síndrome do
Ovário Policístico
Indução da Ovulação
Infertilidade
Masculina
Fertilidade e a Idade
Aborto de
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