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No transcurso deste
século, pudemos observar uma mudança nos hábitos e costumes, que
se deram em uma velocidade sem precedentes. Um individuo de 50 anos
presenciou uma transformação tanto tecnológica como moral e ética.
As previsões futurísticas feitas no passado foram superadas em muito.
Hoje vemos uma revolução no conhecimento e na informação impulsionadas
pela internet. O avanço e domínio do conhecimento em todas as áreas,
levaram o homem a procurar aprender para sobreviver.
Esta revolução obrigou o homem a se adaptar, o que fez com que o
habito de vida mudasse.Até um passado recente, o casamento era uma
instituição realizada precocemente na vida do individuo. Como conseqüência
, a fertilidade era exercida já no inicio do casamento, e aliada
a ineficiência dos métodos contraceptivos, a mulher se via desde
cedo com a carga da educação e cuidados de sua prole.
Os tempos foram mudando, e a mulher foi ocupando gradativamente
o seu lugar na sociedade. Mas uma questão crucial ora se colocou.
Como conciliar a vida de mãe com a vida profissional. Este drama
colocou a mulher em uma nova situação de difícil resolução. Por
um lado o apelo de igualdade profissional e social , que elas sempre
buscaram,e conseguiram, estava em oposição a natureza do ser humano,
mulher, de procriar e exercer a maternidade. Esta qualidade inata,
só sentida no intimo de um organismo feminino, foi postergado em
favor de um desempenho profissional. A mulher deixou para depois
do sucesso profissional a realização da sua condição fisiológica
de ser mãe.
O que pode significar esta modificação no contexto social? Temos
hoje várias situações não conhecidas até um passado recente. Exemplos
são muitos e a cada dia novos casos são colocados a frente dos especialistas
em fertilidade.
Ovários e óvulos
Mas o que realmente acontece nesta fertilidade feminina que se faz
tão problemática.?
A mulher possui nos ovários a fonte de sua fertilidade. Durante
a formação do feto, já na 8* semana de gestação os ovários são formados.
Estes recebem todos os óvulos , que serão gastos durante a vida
reprodutiva. Acredita-se que a mulher nasça com trezentos mil óvulos
em cada ovário. Isto seria suficiente para toda a vida da mulher.
Ao entrar na puberdade os ovários começam a "gastar" óvulos , isto,
ocorrerá todo mês durante toda o período reprodutivo. Não importa
se a mulher está grávida , usando anticoncepcionais que impedem
a ovulação, etc, estes óvulos serão gastos de qualquer maneira.
O ovário "escolhe"um grupo de óvulos que estará a disposição do
estimulo hormonal produzido pelo cérebro. Estes hormônios selecionarão
um óvulo para crescer até ovular. Os outros que não foram utilizados
se atrofiam naturalmente. Isto difere de espécie para espécie. Alguns
animais se reproduzem unicamente ou por ninhadas (Cachorro, gato).
Estudos mostram que mais de uma centena de óvulos sejam ofertados
cada mês. Com o passar da idade o ovário diminui o contingente de
óvulos disponíveis, fazendo com que a mulher diminua a capacidade
de ovular.
No homem a situação é diferente, pois os testículos possuem células
que geram os espermatozóides. Esta célula se mantém no testículo
como fonte geradora e estimulada pelos hormônios cerebrais, vão
produzindo ininterruptamente espermatozóides. Esta diferença básica
explica o fato do homem poder ser fértil até idade avançada. A andropausa
acaba acontecendo secundária a outras enfermidades.
Então na mulher, o ovário diminui a capacidade de ovular, ou de
produzir óvulos saudáveis, já a partir dos 35 anos. Não que a mulher
seja infértil aos 35 anos, mas a sua chance de ser mãe diminui sensivelmente.
Dois são os pontos fundamentais: numero de óvulos disponíveis e
qualidade destes óvulos.
A diminuição do numero de óvulos no ovário é de fácil compreensão,
mas a qualidade é um mistério para a medicina. Como dissemos acima
os óvulos estão no ovário desde o nascimento, em um estado semelhante
a uma hibernação , sendo "solicitados"a cada ciclo menstrual a ficarem
a disposição do estimulo hormonal cerebral.
Algum fator faz com que estes óvulos "envelheçam" no ovário. Este
envelhecimento levaria à produção de um óvulo de qualidade inferior,
levando a uma baixa da capacidade de ser fertilizado e a um aumento
na taxa de mal formação fetal.
Sabemos hoje que estas alterações começam a ser freqüentes a partir
de 35 anos, se agravando a cada ano que passa. Veja na tabela abaixo
como a incidência de uma malformação muito comum na espécie humana
( mongolismo ou Síndrome de Down ), aumenta conforme a idade.
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20
anos
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1
em cada 1500 bebês é afetado
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35
anos
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1
em cada 250 bebês é afetado
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39
anos
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1
em cada 125 bebês é afetado
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41
anos
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1
em cada 75 bebês é afetado
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43
anos
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1
em cada 45 bebês é afetado
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45
anos
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1
em cada 25 bebês é afetado
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Endometriose "Doença da executiva"
Uma patologia chamada "Endometriose" também é um fator que leva a
alteração da fertilidade, e que tem correlação com idade.
O endométrio é o tecido produzido no interior do útero, todo mês,
durante o ciclo menstrual. Este tecido será o local de implantação
do embrião.
Se a mulher não engravida, esta camada é eliminada pela menstruação.
O mênstruo é então o endométrio não utilizado,misturado ao sangue
dos vasos que o nutrem. Algumas mulheres possuem estas células de
endométrio localizada fora do útero.A isto chamamos endometriose.
As teorias são várias, mas nenhuma explica totalmente como isto acontece.
A mais aceita, é que durante a menstruação o sangue menstrual é expulso
pela vagina , mas algum pode refluir pelas trompas abertas para a
cavidade abdominal. Este sangue contém células endometriais que se
fixariam no abdômen, nos ovários etc, Mulheres que não tem endometriose
teriam um sistema de defesa imunológica impedindo que estas células
se implantassem livremente.
O ciclo hormonal natural da mulher seria um fator que estimularia
a endometriose crescer, a cada menstruação.O comportamento destas
células fora da cavidade uterina seria diferente. Haveria uma tendência
a crescer e se espalhar.
Durante a menstruação a mulher é acometida de cólicas , produzidas
pela presença do sangramento menstrual dentro do abdômen. Estas cólicas
se apresentem com intensidade crescente, correspondendo ao crescimento
da endometriose pélvica. Esta é uma característica freqüente que chama
atenção clinicamente para o diagnóstico.
Outro fato extremamente importante é a baixíssima incidência de endometriose
em mulheres que já engravidaram e levaram a gestação até o final.
Temos então uma situação que é naturalmente evitada pela gestação
em fase precoce, mas que dificulta a ocorrência de gestação quando
a doença já está em fase ativa.
A incidência na população feminina em geral é em torno de 4 a 5%,
mas surpreendentemente chega à 35% das mulheres com distúrbio de fertilidade.
Esta é então, uma doença ainda enigmática, que a medicina não conseguiu
esclarecer. Sabemos como diagnosticar, tratar paliativamente mas não
sabemos, ainda curar. Como vimos as mulheres que tentam engravidar
mais tardiamente tem uma incidência maior de endometriose , o que
levaria a uma maior taxa de problemas de fertilidade.
Menopausa precoce e tardia
Como vimos a capacidade do ovário é limitada ao numero de óvulos que
ele contém. Varias situações podem levar à uma menopausa precoce.
Algum distúrbio durante a gestação , se ocorrido no momento da formação
do ovário pode influir no numero de óvulos que estes conterão. Com
o "gasto"durante a vida, pode se esperar que o ovário possa parar
de funcionar mais cedo. Tão mais cedo quanto for menor este numero.
Temos pacientes que menstruaram normalmente aos 10/12 anos e entraram
na menopausa aos 22 anos.
Outra situação que pode afetar o numero de óvulos no ovário são as
doenças e cirurgias. Vários tipos de cistos de ovário, podem levar
a destruição do tecido ovariano e conseqüentemente dos óvulos que
aí contém. Quando se perde tecido ovariano está se perdendo na realidade
óvulos . Não existe hipótese de regeneração do ovário, assim como
acontece,por exemplo, com a pele. O tecido perdido, está perdido.
Esta é a razão principal, para que consideremos o ovário como o órgão
reprodutor máximo. A herança genética aí está, não há substituição.
A decisão de uma cirurgia por uma patologia ovariana, deve ser avaliada
de maneira muito criteriosa. Hoje temos tecnologia para tratar o ovário
de forma bastante conservadora, seja por simples aspiração de um cisto
por ultrasom, sem necessitar cirurgia, ou pela videolaparoscopia com
retirada somente da lesão, sem perda de tecido sadio. Recomendamos
SEMPRE, ouvir uma segunda opinião, pois o ovário não tem segunda chance.
O que é possível e o que será possível ?
(Possível) Drogas indutoras de ovulação
Temos hoje drogas que podem nos ajudar a hiperestimular a ovulação,
tentando oferecer ao espermatozóides um maior numero de óvulos a serem
fecundados. Com isto aumentamos a probabilidade de gravidez.
Estes hormônios são absolutamente naturais, retirados de seres humanos,
ou mais recentemente obtidos através da engenharia genética, sendo
produzidos hormônios idênticos aos naturais e absolutamente puros.
(Possível) Esperma de doador
Cada vez mais temos situações, em que a medicina da reprodução é chamada
para auxiliar em uma dificuldade do mundo moderno. Ë o caso das inúmeras
mulheres que chegaram a casa dos 35 anos , e não encontraram o seu
companheiro ideal, e a curto prazo não vislumbram isto acontecer.
Estas mulheres entram literalmente em pânico, pois a sua fertilidade
é limitada, mas o tempo necessário para encontrar o pai é uma incógnita.
Elas podem recorrer a Bancos de Esperma. Este Bancos possuem uma gama
variada de sêmen doado, por indivíduos avaliados extensamente. Esta
avaliação inclui a parte física, clinica, genética,emocional e familiar.
Todas as provas para se excluir as doenças inflamatórias transmissíveis
são realizadas, e após 6 mêses de quarentena se o doador é saudável
este sêmen é liberado para utilização.
A inseminação é realizada, colocando-se o sêmen que foi descongelado
,no interior do útero, no momento da ovulação.
(Possível) Doação de óvulos
Aquelas mulheres que não tem mais os ovários , por doença ou cirurgia,
ou que já entraram na menopausa podem se beneficiar de uma doação
de óvulos. Aqui também se incluem as mulheres com mais 40 anos que
tem uma má resposta na estimulação da ovulação visando uma fertilização
in vitro .
Estes óvulos doados serão fecundados com e espermatozóide do marido
e o embrião conseguido . será transferido para o útero da paciente
receptora. Não trabalhamos com doadoras comerciais , isto é vendedoras
de óvulos que se dispõe a serem tratadas, em troca de remuneração.
Em nossa clinica , algumas pacientes se dispõem a doar óvulos . Em
geral são pacientes que não possuem o montante necessário para o tratamento.
A paciente receptora aloca os recursos necessários para um tratamento,
como se fora para ela mesma. A clinica usará estes meios para tratar
a doadora. Com um mesmo recurso conseguimos tratar dois casais .
Tanto a doadora como a receptora não tem nenhuma informação da outra.
São feitas avaliações dos dois casais de todas as infecções transmissiveis,
bem como uma avaliação física e familiar. Pareamos o grupo sanguineo,
fator RH, cor do cabelo e olhos, estatura.
A chance de gravidez por ciclo de tratamento é de 40%. Pode parecer
pouco , mas sabemos que a chance natural de um casal, sem problemas,
é de 30% por tentativa.
(Possível) Diagnóstico genético prénatal
Sabendo da possibilidade de alterações genéticas, relacionadas ao
fator idade, hoje, temos varias avaliações possíveis.
Estudo do Vilo Corial: exame realizado na 11* semana de gestação ,
é realizada uma biopsia da placenta. Este fragmento é enviado a análise
genética , que pode dar um diagnóstico inicial em 3 dias ( doenças
mais comuns, como mongolismo) e um mapa genético completo com 3 semanas.
Existe um risco de perda da gestação, como seqüela do exame da ordem
de 1/200.
Amniocentese: Exame realizado na 13/14* semana de gestação. Ë retirada
uma amostra de liquido da bolsa amniótica, com uma agulha fina, através
da superfície abdominal. Exame extremamente simples, sem anestesia,
permite resposta em 3 semanas. Existe um risco de perda da gestação
da ordem de 1/500.
Estes dois exames oferecem um resultado 100% seguro, quanto as mal
formações de origem genética.
Translucência nucal Exame realizado pela ultrasonografia transvaginal,
na 12* semana de gestação, avalia a medida da nuca do bebê, e faz
uma correlação com a idade . Estes dados são colocados em um programa
de computação dando uma estimativa de risco de alterações fetais.
É um exame que fornece 80% de acerto. Indicado para pacientes jovens
que não tem risco acentuado.
Teste triplo ou combinado. Avalia 3 e 4 parâmetros do sangue, fornecendo
uma estimativa de risco semelhante a anterior.
(Será possível) Congelamento de óvulos
No momento não temos meios eficientes para congelamento de óvulos.
Fazemos com segurança congelamento de espermatozóides e embriões.
Em um futuro próximo , poderemos retirar óvulos do ovário, com simples
punção via ultrasonografica e guarda-los congelados.. A mulher poderia
engravidar de seus própios óvulos , na idade que quisesse.
(Será possível) Congelamento de ovário
A mesma situação acima poderia se beneficiar do congelamento de ovário.
A melhor indicação seria para pacientes que fossem se submeter a tratamentos
para câncer, com substâncias que destruiriam os ovários, e ou radioterapia.
Por uma simples videolaparoscopia (cirurgia ambulatorial) se retiraria
parte ou todo o ovário com posterior congelamento. Passado o tratamento
este poderia ser reimplantado no abdômen, ou na musculatura do braço
ou perna. Já foram apresentados trabalhos comprovando a eficiência
desta técnica. Em breve estaremos fazendo rotineiramente.
(Será possível??) Transferência de núcleo
Existe a teoria de que as malformações fetais relacionadas à idade,
são causadas por uma alteração do citoplasma (liquido dentro da célula
que envolve o núcleo). Poderíamos simplesmente transferir o núcleo
com a carga genética, para um óvulo jovem que foi retirado sua carga
genética habitual. Isto é núcleo do paciente + citoplasma jovem de
doador.
Esta técnica ainda requer muito estudo, pois existe uma infinidade
de estruturas no citoplasma que contém estrutura de DNA. Então teremos
um embrião com dois tipos de DNA, da doadora e receptora. Não sabemos
o que pode causar ao feto no futuro.
Saiba mais sobre:
Sobre
Fertilidade
Fertilização
in Vitro
Inseminação
Artificial
Laparoscopia
Síndrome
do Ovário Policístico
Infertilidade
Masculina
Aborto
de Repetição
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