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Durante gerações poucos puderam os médicos fazer para ajudar os
casais cuja infertilidade era devida a distúrbios do espermatozóide
no parceiro masculino. O método do bebê de proveta por fertilização
In Vitro realmente ajudou em algumas situações; técnicas recentes,
porém, pelas quais óvulos são fertilizados por espermatozóides injetados,
significam que agora a maioria dos tipos de infertilidade masculina
pode ser tratada.
Infertilidade
Embora existam muitos casais com incapacidade para ter um filho
a infertilidade continua a ser um assunto pessoal. É substancial
o sofrimento e desespero que a falta de filhos pode provocar em
um relacionamento sob outros aspectos satisfatório. Os casais incapazes
de conceber procuram o médico da família em busca de conselho e
orientação - e algumas vezes o especialista para um tratamento qualificado.
Uma moderna clínica de infertilidade oferece uma ampla gama de tratamentos
de alta tecnologia, os quais tanto são difíceis de compreender como
(às vezes) preocupantes. Existem também outras importantes considerações
- os custos, o tempo necessário para o tratamento, os desapontamentos,
as ansiedades. Todas elas levantam questões que poucos de nós têm
capacidade de responder de maneira simples, e todas elas requerem
os conselhos de um especialista - especialmente quanto a forma mais
adequada de tratamento e as probabilidades de sucesso.
Até há poucos anos, o tratamento dos casais cuja infertilidade tem
origem masculina não tinha sido bem sucedido. As técnicas do bebê
de proveta, como a fertilização In Vitro (FIV), foram úteis em alguns
casos, mas seus índices de sucesso estavam bastante abaixo dos registrados
quando a infertilidade era de origem feminina.
A medida do problema
Um casal fértil normal, na faixa etária dos 20 anos, fazendo sexo
regularmente, tem a cada mês uma chance em quatro de conceber. Isto
significa que cerca de nove em dez casais que estão tentando ter
um fiho conceberão dentro de um ano. Um em dez, entretanto, não
conseguirá - e dentro desses dez por cento estão aqueles casais
que serão diagnosticados como inférteis. Os médicos geralmente definem
infertilidade como a incapacidade de conceber após pelo menos um
ano de tentativas.
As estimativas indicam que aproximadamente um terço de todos os
casos de infertilidade é resultado de um problema masculino - mais
comumente relacionado com a qualidade e quantidade de espermatozóides
do parceiro masculino. Como o motivo da infertilidade é muitas vezes
inexplicado, a infertilidade masculina que é explicada - foi descrita
como "a mais bem definida causa de infertilidade humana".
Avaliando as causas
As pesquisas realizadas por um médico da família ou uma clínica
especializada podem, na maioria dos casos, fornecer um diagnóstico
claro da infertilidade masculina (apesar de nenhum exame poder predizer
a fertilidade com total exatidão). Como são bem conhecidas as características
do espermatozóide necessárias para uma fertilização "normal", quaisquer
resultados anormais de um exame dos espermatozóides sugerirão um
problema masculino. Esses exames, que são realizados em uma amostra
de sêmen, podem revelar anormalidades no número, mobilidade e morfologia
dos espermatozóides.
Recentemente as clínicas especializadas em infertilidade também
têm usado a fertilização In Vitro como um teste diagnóstico. Muito
freqüentemente óvulos sadios não são fertilizados no laboratório
devido à funcão anormal do espermatozóide. A FIV fracassada, portanto,
pode fornecer uma evidência mais conclusiva de infertilidade devido
ao "fator masculino".
As anormalidades que os exames podem revelar são:
- Baixo número de espermatozóides;
normalmente os homens produzem no mínimo 20 milhões de espermatozóides
por milímetro de sêmen; um número inferior é considerado como
causa de diminuição da fertilidade
- Não producão de espermatozóides,
devido a insuficiência testicular, ou completa ausência de espermatozóides,
talvez devido a uma obstrução
- Pouca mobilidade dos espermatozóides;
nesse caso os espermatozóides não terão capacidade para nadar
através do colo uterino para encontrar o óvulo na trompa de Falópio
- Formato inadequado
(conhecido como "morfologia"), de modo que um espermatozóide individualmente
nao é capaz de perfurar a camada externa do óvulo
Todas essas condições
têm seus próprios nomes científicos; Os mais comuns são oligospermia
(poucos espermatozóides) e azoospermia (absolutarnente nenhum espermatozóide).
As anormalidades dos espermatozóides, entretanto, não são a única
causa de infertilidade masculina. Podem existir dificuldades de
cópula - talvez devido a insuficiência ejaculatória ou impotência.
Modernas investigações também revelaram que um número surpreendentemente
elevado de casais é afetado por infertilidade imunológica - na qual
a parceira feminina rejeita o espermatozóide masculino. E finalmente,
especialmente hoje em dia, com as mudanças dos padrões do casamento,
há um número crescente de homens cirurgicamente inférteis em resultado
de vasectomia. A vasectomia é agora também possível de tratamento
de reversão.
TRATAMENTOS
Não existe uma solução simples para a infertilidade masculina. O
tratamento dependerá dos resultados da investigação e da possibilidade
de um resultado bem sucedido. Dependendo da gravidade do distúrbio,
Os médicos podem escolher diversos tratamentos, que variam de simples
a complexos. Agora parece justo entretanto, dizer que mesmo os casos
mais renitentes de infertilidade masculina são no mínimo sensíveis
ao tratamento médico - e mesmo aqueles casos mais graves, cuja única
solução até poucos anos atrás era a inseminação artificial por doador
(AID) ou adoção, tem sido tratados com sucesso pelas novas técnicas
de microinjeção de espermatozóide. Como a variedade de opções é
ampla, e como alguns tratamentos não estão amplamente disponíveis,
são muitas as decisões que pacientes e médicos devem tomar. Se o
tratamento for considerado adequado, as opções disponíveis são o
tratamento apenas medicamentoso, a fertilização in vitro (FIV),
a transferência intratubária de gametas (GIFT), a inseminação artificial
por doador (AID ou ID), a superovulação e inseminação intrauterina
(IIU), e a fertilização pela técnica da injecão intracitoplasmática
de espermatozóide (ICSI).
Tratamento medicamentoso
Não existe um tratamento medicamentoso simples que aumente as
concentrações de espermatozóides ou corrija sua morfologia individualmente.
Alguns medicamentos têm sido usados com sucesso para auxiliar casos
de impotência, especialmente quando a mesma está relacionada ao
hormônio sexual masculino testosterona.
Além disso, nos casos em que o parceiro masculino tem um distúrbio
conhecido como hipogonadismo hipogonadotrópico - no qual os testículos
não tem a capacidade de gerar espermatozóides devido à estimulação
hormonal inadequada ou inexistente dos testículos pelo hipotálamo
ou pela glândula hipófise do cérebro - podem ser dados hormônios
de reposição para fornecer a estimulação testicular. Esses hormônios
"reprodutivos" são conhecidos como gonadotrofinas, podendo ser dados
tanto aos homens como às mulheres - para estimular o desenvolvimento
do óvulo nas mulheres e dos espermatozóides nos homens.
Fertilização in vitro
A FIV é a técnica do "bebê de proveta", sendo o procedimento
de concepção assistida mais amplamente praticado no mundo. Em resumo,
na FIV um ou mais óvulos são removidos do ovário, fertilizados no
laboratório com espermatozóides do parceiro masculino, e uma pequena
seleção dos embriões resultantes é transferida para o útero, para
implantação e gravidez. Embora a FIV tenha sido desenvolvida para
tratar casais cuja principal causa de infertilidade é uma lesão
tubária na mulher, a técnica também foi considerada útil para os
casais cujos problemas são causados pelo número de espermatozóides
abaixo da média ou com morfologia deficiente. As modernas técnicas
de preparo dos espermatozóides (lavagem e cultura) podem melhorar
a viabilidade das amostras de espermatozóides e tornar a fertilização
mais provável.
Inseminação por doador
A inseminação com espermatozóides de doador foi geralmente
reservada para os casos de anormalidade grave dos espermatozóides,
sendo realizada com sêmen de um doador anônimo (AID ou ID). Técnicas
recentemente introduzidas como a ICSI, entretanto, conseguem fertilização
e gravidezes satisfatórias com concentrações de espermatozóides
abaixo da média, o que ampliou as oportunidades de tratamento com
os espermatozóides do parceiro masculino.
Os resultados mais favoráveis tem sido obtidos quando a inseminação
é programada para coincidir com a ovulação induzida pelos medicamentos
para fertilidade. É importante, porém, que os médicos que estão
realizando essa estimulação ovariana monitorem o tratamento medicamentoso
para ter a certeza de que não há muitos óvulos se desenvolvendo
no ovário. Óvulos demais aumentarão o risco de uma gravidez múltipla.
O objetivo usual em todos os procedimentos de inseminação artificial
é gerar não mais que três óvulos. Isto é bem menos do que para a
FIV, mas garante que os riscos de uma gravidez múltipla são minimizados.
Aproximadamente no momento programado para a ovulação, é preparada
uma amostra de sêmen recente (produzido nesse mesmo dia), a qual
é colocada alto no útero da parceira feminina por meio de um delicado
cateter. Esse procedimento é conhecido como inseminação intrauterina
ou IIU. Como a fertilização ocorre no ambiente natural (isto é,
na trompa de Falópio), pelo menos uma das trompas da parceira feminina
deve estar permeável.
Os índices de sucesso de IIU após estimulação ovariana estão entre
10 e 15 por cento por ciclo, mas podem chegar a 50 por cento depois
de várias tentativas em um ano. É importante que o número de espermatozóides
do parceiro masculino esteja dentro de uma ampla faixa "normal",
e que as trompas da mulher estejam sadias. Atualmente, a grande
maioria dos procedimentos de IIU utiliza espermatozóides do parceiro
masculino.
Passo a passo na IIU
1. Tratamento medicamentoso para estimular dois ou três
óvulos a amadurecer
- Geralmente gonadotrofinas, para estimular o crescimento
dos folículos e provocar a ovulação
2. Monitoração do tratamento, para medir o crescimento
dos folículos, individualizar as doses do medicamento, e prevenir
efeitos colaterais sérios
- Através de ultra-som transvaginal (duas ou três vezes
durante um ciclo de tratamento)
Algumas vezes pela dosagem dos hormônios em uma amostra de
sangue
3. Amostra de esperma, fornecida na manhã da ovulação,
é preparada e colocada mais tarde nesse dia
4. Teste da gravidez, monitoração
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Técnicas de microinjeção
A fertilização por
microinjeção foi aclamada como uma revolução nos últimos anos, e
finalmente ofereceu um tratamento viável mesmo para os casos mais
difíceis de infertilidade masculina. Enquanto antigamente os médicos
não podiam oferecer nada além de adoção ou inseminação de doador,
as novas técnicas de microinjeção, como a ICSI, agora oferecem uma
solução para o tratamento desses casos.
A ICSI usa os mais poderosos microscópios e "micromanipuladores":
embriologistas, por exemplo, mantendo um único óvulo humano na extremidade
de um fino tubo de sucção, conseguem penetrar nesse óvulo com uma
agulha que é sete ou mais vezes mais fina que um cabelo humano.
A agulha coloca no citoplasma do óvulo um único espermatozóide,
o qual na maioria das vezes (60-70 por cento) tem capacidade de
fertilizar o óvulo que, três dias depois, como embrião, pode ser
transferido para o útero.
Na concepcão normal uma única ejaculação de sêmen pode conter mais
de 200 milhões de espermatozóides viáveis - mas apenas algumas centenas
desse enorme número realmente alcançarão o óvulo liberado na trompa
de Falópio e terão condições de fertilizá-lo. Homens com o número
total de espermatozóides muito baixo sempre foram considerados como
de tratamento impossível; agora a ICSI pode tornar a fertilização
possível com apenas um espermatozóide.
Os resultados da ICSI até o momento tem sido notáveis, conseguindo
sucesso em homens com espermatozóides em número muito pequeno e
de má qualidade. Em Bruxelas, onde a técnica tem sido aplicada com
muito sucesso, até 70 por cento dos óvulos injetados por esse método
fertilizaram - e isso muitas vezes ocorreu com espermatozóides recuperados
de amostras que não pareciam conter nenhum espécime viável. Quando
os óvulos fertilizados pela ICSI foram transferidos para a parceira
feminina, os índices de gravidez e de bebês levados para casa foram
tão elevados como na FIV rotineira (e em alguns casos mais elevados!).
Essas técnicas tem sido agora aplicadas no tratamento não apenas
de homens que produzem espermatozóides de má qualidade, mas também
daqueles não produzem absolutamente espermatozóides, devido a obstrução
ou outros distúrbios testiculares (ou vasectomia). Duas técnicas
- aspiração microepididimal de espermatozóides (MESA) e extração
de espermatozóide testicular (TESE) - são agora bastante usadas
na recuperação de espermatozóides do epidídimo (situado na porção
superior do testículo) ou de uma biópsia de tecido testicular. Os
espermatozóides isolados recuperados são então usados para fertilizar
os óvulos pela ICSI. Novamente os resultados têm sido bastante encorajadores,
sugerindo que homens que por vários motivos são incapazes de ejacular
ou mesmo produzir espermatozóides nos testículos, tem agora condições
de fornecer o espermatozóide para fertilizar os óvulos de sua parceira.
A despeito do notável sucesso da ICSI, a maioria dos centros concorda
que a técnica deve permanecer relativamente experimental. Há preocupações
de que algumas doenças hereditárias - como a fibrose cística - que
estão associadas ao fator de infertilidade masculina, possam ser
transmitidas para um descendente masculino. Por esse motivo, muitos
centros de ICSI insistem em um aconselhamento intenso e em uma pesquisa
genética antes do tratamento, assim como acompanhamento durante
e depois da gravidez.
Passo a passo na ICSI
1. Tratamento
medicamentoso, para estimular diversos óvulos a amadurecer
- Agonistas GnRH
para suprimir qualquer outra atividade hormonal (injeções/spray
nasal durante (geralmente) duas semanas antes das gonadotrofinas
e, dependendo da resposta, mais 10-14 dias)
- Gonadotrofinas para estimular o crescimento de folículos
e causar a ovulação
2. Monitoração
do tratamento, para medir o crescimento dos folículos, individualizar
as doses do medicamento, e prevenir efeitos colaterais sérios
- Através de ultra-som transvaginal (duas ou três vezes
durante um ciclo de tratamento)
- Algumas vezes por dosagem dos hormônios em uma amostra
de sangue
3. Coleta
do óvulo, geralmente sob anestesia local, levando entre
10 e 20 minutos
- Orientada por ultra-som transvaginal
- Coleta através da vagina (32-36 horas após a última injeção
de hormônio)
4. Amostra
do esperma, fornecida no mesmo dia da coleta do óvulo.
A amostra pode ser obtida de maneira natural ou após aspirção
do epidídimo (MESA) ou extraído do testículo (TESE)
5. Fertilização
- Um único espermatozóide é injetado dentro de um único
óvulo
- Os óvulos são examinados ao microscópio no dia seguinte
para se verificar se ocorreu a fertilização
6. Transferência
do embrião (geralmente dois ou três dias depois da fertiIização)
- Transferência transvaginal de não mais que três embriões
- Embriões colocados no útero
- Embriões de reserva em geral congelados
7. Teste/
Monitoração da gravidez
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Os casais inférteis
recrutados para os programas de ICSI devem, portanto, ser bem selecionados
(graves defeitos dos espermatozóides, por exemplo) e muitas vezes
terão uma história de FIV fracassada. A parceira feminina, evidentemente,
deve passar pelo procedimento rotineiro de estimulação ovariana
e coleta do óvulo, enquanto que o parceiro masculino deve produzir
uma amostra de esperma (a menos que estejam indicados MESA e TESE).
O preparo e seleção dos espermatozóides são cruciais para o sucesso
da ICSI, sendo realizados por um processo de lavagem e seleção.
Esses métodos de preparo dos espermatozóides permitem que sejam
recuperadas algumas poucas células viáveis de uma amostra em outras
condições inútil.
Aconselhamento
Na maioria dos países deve ser providenciado aconselhamento
a todos os casais que serão submetidos a concepção assistida. Para
muitos dos que chegaram a esse estágio, as frustrações da falta
de filhos já impuzeram graves tensões emocionais, por isso a oferta
de orientação e ajuda durante esse dificil período é em geral bem
recebida.
Além disso, a concepção assistida, como um tratamento médico, impõe
suas próprias exigências, o que torna o aconselhamento ainda mais
essencial. A passagem por um ciclo de tratamento nem sempre é fácil
e, como mostram as estatísticas, o sucesso não pode ser garantido.
Mesmo os casais que conseguem a gravidez ainda podem experimentar
o grave desapontamento de perda da mesma.
Alguns casais também descobrem que os dilemas levantados pela concepção
assistida são mais facilmente resolvidos depois do aconselhamento
- que fazer com os embriões de reserva congelados, como aceitar
o anonimato genético da doação de esperma, como enfrentar a falha
do tratamento?
Ouais as reais probabilidades de sucesso?
Como cerca de quatro em cada cinco casais submetidos a um único
ciclo de tratamento de concepção assistida não tem um bebê, é fácil
falar em fracasso. Mas a verdade é que os índices globais de sucesso
da concepção assistida são quase tão bons quanto os naturais, talvez
mesmo melhores. Além do mais, como as probabilidades de sucesso
são estatisticamente as mesmas para cada ciclo de tratamento, os
casais que iniciam um tratamento de concepção assistida constatarão
que seu número diminuirá substancialmente depois de vários ciclos.
Esses são índices globais, entretanto, e todos os estudos indicam
que a concepção é menos provável se a parceira feminina tiver mais
de 40 anos ou se o parceiro masculino apresentar anormalidades nos
espermatozóides. Os resultados de estudos de inseminação intrauterina
em seguida a estimulação ovariana revelam um índice de gravidez
em torno de 15 por cento, e um índice de bebês levados para casa
de aproximadarnente 10 por cento. Os últimos resultados da ICSI
no tratamento da infertilidade masculina, entretanto, mostram que
homens com distúrbios do espermatozóide têm agora probabilidades
muito maiores de gerar seus próprios filhos. Têm sido registrados
índices de gravidez de até 25 por cento, com índices ligeiramente
mais baixos de bebês levados para casa.
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