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Pacientes
que não tem os ovários ou que os tenha mas por alguma razão, estes
não tem possibilidade de bom funcionamento, são aqueles que se beneficiarão
deste tratamento.
Os ovários tem sua capacidade de produção de óvulos limitada pela
idade. O ovário na fase fetal recebe todos os óvulos que irão ser
utilizados durante a vida reprodutiva. Acredita-se que os ovários
possuam de 200 a 300 000 óvulos no nascimento , e segundo alguns
autores estes já são utilizados desde então.
O ovário a cada período de tempo recruta um certo numero de óvulos,
que serão colocados à disposição do organismo. Uma glândula na base
do cérebro (hipófise) produz hormônios que irão recrutar estes óvulos
colocados a disposição pelo ovário. Na infância estes hormônios
não existem, aparecendo na puberdade. Os óvulos vão então sendo
"gastos"durante o período reprodutivo, chegando ao final do estoque
em determinado momento, que chamaremos de MENOPAUSA. Então menopausa
é o momento em que os óvulos se acabam no ovário, e não havendo
mais óvulos ,não há mais produção dos hormônios femininos pelo ovário.
Algumas mulheres podem , por algum problema durante a gestação,
nascer com uma quantidade de óvulos menor, o que fará com que termine
mais cedo a vida reprodutiva. A menopausa precoce pode afetar a
mulher em qualquer idade, dependendo apenas do numero de óvulos
que o ovário recebeu na idade fetal..
Outras podem ter tido perda de parte ou totalidade do ovário, por
patologias (endometriose, cisto) que operadas, ressecou-se o tecido
ovariano ou a patologia destruiu . Os tratamentos de quimioterapia
, também destroem o tecido ovariano.
Fora as patologias que destroem o tecido ovariano, a idade talvez
seja a maior inimiga da mulher. Mesmo com ovulações normais , mulheres
acima dos 40 anos , começam a ter dificuldade de engravidar.
Esta dificuldade não é ainda explicada pela ciência . A idéia é
de que os óvulos "envelhecem "no ovário, levando a uma dificuldade
de ovular, e o que é mais difícil de compreender, a qualidade do
óvulo é afetada. Esta qualidade leva a uma diminuição da capacidade
de ser fecundado, um aumento das taxas de malformação fetal e abortamento.
A capacidade de ser fecundado , e deste embrião se tornar uma gestação
evolutiva, diminui a medida que a idade avança.
A tabela abaixo demonstra o resultado de fertilização in vitro ,
de acordo com a idade da paciente. Podemos também comparar estes
resultados aos índices de gravidez conseguidos naturalmente, e estes
são muito semelhantes. Demonstramos com isto que a dificuldade estaria
ligada estreitamente apenas ao fator idade.
Exemplo: Resultado de fertilização in vitro de acordo com a idade
(Lass et al. Fertility and Sterility Vol 70 n* 6)
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Idade
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Gravidez
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Aborto
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40
anos
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28,2%
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12,7%
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40
anos
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14,0%
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21,7%
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41
anos
|
13,8%
|
28,2%
|
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42
anos
|
10,6%
|
23,5%
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43
anos
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6,6%
|
66,6%
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44
anos
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4,1%
|
33,3%
|
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45
anos
|
2,0%
|
100%
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Outro fato importante é o aumento da incidência de mal formação fetal
, que cresce proporcionalmente a idade. Existem malformações compatíveis
com a vida e incompatíveis. As primeiras são aquelas que chegam ao
nascimento e sobrevivem por períodos distintos. Aquelas incompatíveis,
se terminam em abortamento, como se a natureza eliminasse um ser que
não tem capacidade nenhuma de sobrevivência.( veja o exemplo da taxa
de aborto em relação a idade na tabela acima).
Como exemplo a tabela abaixo mostra a incidência da Síndrome de Down:
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Idade
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Risco
da Síndrome de Down
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20
anos
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1
em cada 1500 bebês é afetado
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35
anos
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1
em cada 250 bebês é afetado
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37
anos
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1
em cada 200 bebês é afetado
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39
anos
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1
em cada 125 bebês é afetado
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41
anos
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1
em cada 75 bebês é afetado
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43
anos
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1
em cada 45 bebês é afetado
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|
45
anos
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1
em cada 25 bebês é afetado
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Se aliarmos a dificuldade de produção de óvulos , com o aumento da
taxa de malformação e abortamento, teremos um grupo de mulheres em
que o tratamento utilizando-se o próprio material genético torna-se
praticamente negativo. Outras não tem os ovários ou já estão na menopausa.
Para estas mulheres existe a possibilidade de utilizar óvulos doados.
COMO OBTER ÓVULOS :
Infelizmente ainda não temos uma forma segura de congelar óvulos.
Por esta razão , os óvulos devem ser utilizados imediatamente após
a sua coleta. A doadora de óvulos será uma paciente que se submeterá
a uma fertilização in vitro. Nós , em nossa clinica, não temos doadoras
comerciais, isto é, mulheres que recebem uma compensação financeira
para doar óvulos.
Pacientes que nos procuram para um tratamento de fertilização in vitro,
muitas das vezes,não tem meios financeiros para arcar com o tratamento.
À elas é proposto serem doadoras de óvulos. O tratamento será inteiramente
gratuito. Os óvulos conseguidos através da estimulação da ovulação
(vide seção Fertilização in vitro) , serão divididos, indo metade
do numero obtido para a doadora e a outra metade para a receptora,
inseminados com os espermatozóides correspondentes, sendo os embriões
conseguidos transferidos para o útero de cada uma.
O custo do tratamento de fertilização in vitro será de responsabilidade
da receptora, que alocará os recursos necessários, como se estivesse
fazendo um tratamento para si propia. Resumidamente teremos de um
lado uma paciente doadora que contribuirá com parte dos óvulos produzidos,
e de uma receptora que não tem os óvulos, mas colocará os recursos
necessários para o tratamento.
O custo financeiro de um tratamento ajudará a dois casais. Importante
ressaltar que este tratamento é absolutamente anônimo, um casal não
sabe do outro, nem mesmo qual o resultado final. Este é um compromisso
assumido desde o inicio do caso.
Os dois casais são checados para todas as infecções transmissíveis,
e uma historia clinica completa e familiar é feita na doadora. A receptora
poderá saber dos antecedentes familiares (doenças como diabete, hipertensão,
câncer etc,). Estes critérios de inclusão são indicados pelo manual
de procedimentos para seleção de doadores, publicado anualmente pela
American Society of Reproductive Medicine.
A doadora não terá mais do que 35 anos , pois à partir desta idade
começa a aumentar o risco de malformação fetal.
Pareamos o grupo sanguíneo, tipo e cor de cabelo, cor dos olhos, cor
da pele e estatura das pacientes.
O tratamento da doadora segue os mesmos critérios descritos na seção
de fertilização in vitro, e a receptora fará apenas o preparo do útero
com medicações orais. Estas prepararão o útero em paralelo com o protocolo
da doadora. No momento que tivermos os óvulos , o útero tem que estar
no mesmo período de amadurecimento da cavidade para poder dois dias
depois receber os embriões. Estes hormônios utilizados pela receptora
serão mantidos até a 12* semana de gestação. Os três primeiros meses
de gravidez, o ovário comanda a produção hormonal. À partir deste
momento a placenta, assume o comando dos hormônios da gravidez, involuindo
a função ovariana. Por este motivo mantemos os hormônios neste período,
pois não tivemos o ovário participando do tratamento.
Este tratamento oferece em torno de 40% de chance de gestação por
tentativa. Sabemos que esta chance é um pouco maior do que a oferecida
para tratamentos de fertilização in vitro. A explicação pode ser dada
pelo fato de que o preparo do útero da receptora é feito de maneira
semelhante ao que ocorre em uma ovulação natural. O hormônio estrogênio
produzido pelo ovário no dia da ovulação gira em torno de 200pg/ml,
enquanto na paciente estimulada , pode chegar a 3000pg/ml.
O estrogênio é que prepara o endométrio para a chegada do embrião.
O embrião seria o fruto teórico da mesma fonte/óvulo e fecundado pelo
espermatozóide correspondente de cada casal. Na receptora, o útero
é preparado de forma mais fisiológica, com a quantidade de estrogênio
próximo de uma ovulação espontânea.
Este talvez seja a razão da diferença nas taxas de gestação entre
receptora e doadora.
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